Todos aqueles que acompanham a história do Secretariado concordam que o ano de 2009 é mais um marco a ser acrescentado ao amadurecimento da área por ter representado um ano de grandes reflexões e de mudança de foco, especialmente no que diz respeito à formação na área.

 

O início desta mudança ocorreu com a consulta pública que a Secretaria de Educação Superior do Ministério de Educação (SESu/MEC) fez a toda a sociedade brasileira, na qual, entre outros aspectos, foi indagado se os cursos de Bacharelado em Secretariado Executivo deveriam ser extintos, existindo, a partir de então, somente cursos técnicos e tecnólogos em Secretariado. Caso o curso fosse extinto os discentes que estavam matriculados nos cursos de Secretariado Executivo, ao se formarem, receberiam o diploma de Administradores.

 

Tal consulta mobilizou os órgãos que representavam a profissão, bem como os professores e coordenadores de cursos de diversos estados brasileiros. Diante dessa mobilização, a SESu/MEC concedeu uma audiência a uma comissão composta por órgãos representativos, professores e coordenadores da área de Secretariado. Na audiência realizada em 15 de outubro de 2009, estiveram presentes 16 pessoas.
Foto: Reunião em Brasília, no dia 15 de outubro de 2009, na Secretaria da Educação Superior SESu/MEC.
 
Foi apresentado ao Superintendente, Prof. Paulo Roberto Wollinger, e a sua equipe argumentos que sustentavam a manutenção dos cursos de Secretariado nas instituições de ensino superior brasileiras. Durante a audiência, o Superintendente garantiu a continuidade dos cursos, mas questionou os professores presentes sobre o baixo número das produções acadêmicas na área de Secretariado. Diante deste questionamento, a comissão se comprometeu em aumentar as produções acadêmicas e científicas na área, bem como em divulgá-las. A partir de então, iniciaram-se as discussões sobre como se organizar para que as produções fossem, de fato, divulgadas não somente no meio acadêmico mas também para toda a sociedade.

Apesar de a pesquisa em Secretariado Executivo no Brasil se encontrar em fase embrionária, diversas iniciativas têm ocorrido a fim de criar condições para que o Secretariado se estabeleça no meio científico enquanto área do conhecimento.

É importante lembrar que no Brasil o título de pesquisador é exclusivo para quem concluiu curso de Doutorado. Conforme pesquisa da Profª. Dra. Marlete Beatriz Maçaneiro, apresentada no Congresso Internacional de Secretariado (COINS) em 2013 (Apresentação da palestra está Disponível em: http://coins.sinsesp.com.br/2013/images/pdf/A%20Construcao%20da%20Identidade%20-%20Marlete.pdf. Acesso: 12/07/2014.) que gerou o artigo publicado na Edição Especial da Revista de Gestão e Secretariado 2013 (Disponível em: http://www.revistagesec.org.br/ojs-2.3.8/index.php/secretariado/article/view/274#.U8DoX7F1g9t. Acesso em 12/07/2014), somente seis profissionais graduados em Secretariado Executivo possuem esta titulação.

Além disso, convém lembrar que somente são pontuadas como pesquisas de excelência aquelas publicadas em periódicos, eventos e livros que obtiveram Qualis (conceito atribuído pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES). Na área de Secretariado, não temos nenhum evento que tenha obtido esse conceito e apenas cinco revistas da área já foram conceituadas.

A falta de doutores na área também tem impossibilitado a abertura de programas de pós-graduação stricto-sensu (mestrado e doutorado) na área secretarial, já que somente doutores podem ser professores de programas de Mestrado e de Doutorado. Isso leva os professores da área a buscarem formação em outras áreas do conhecimento, o que nem sempre lhes permite direcionar suas pesquisas para o campo do Secretariado.

Para ter status de área do conhecimento, o Secretariado tem um longo caminho a percorrer e a ABPSEC é extremamente importante nesse processo. Se quisermos ser reconhecidos como área do conhecimento, necessitamos, entre outras ações:

- Doutorar os professores da área;
- Melhorar a qualidade dos periódicos já existentes;
- Criar novos periódicos científicos;
- Promover a integração de pesquisadores de todo o Brasil;
- Realizar investigações científicas de forte impacto social e com alta qualidade;
- Promover eventos acadêmicos;
- Criar cursos de Mestrado e de Doutorado.

Por essa razão, é mister que todos os profissionais em Educação Superior no Secretariado (graduados ou não na área), alunos e pesquisadores da área secretarial contribuam com o andamento das atividades da ABPSEC e tenham ciência de que temos uma árdua tarefa pela frente.

Por outro lado, é visível o progresso da pesquisa em secretariado, especialmente desde 2009. Prova disso é o maior número de professores da área com o título de Doutor e em processo de Doutoramento. Outro fator é a existência do ENASEC, que foi e é um grande promotor da pesquisa em secretariado. A segunda edição do evento teve como temática central “A evolução da profissão por meio da pesquisa” e culminou com a publicação da obra “Pesquisa em Secretariado: cenários, perspectivas e desafios”, 2012. Nesta edição, já foi notável o crescimento quantitativo e qualitativo dos estudos na área. Foram apresentados mais de 40 trabalhos científicos de autoria de alunos e professores dos cursos brasileiros de Secretariado.

O ENASEC é o evento acadêmico da categoria, com estrutura consolidada e reconhecida, além de ser o evento oficial da Associação.

É importante também destacar o número crescente de grupos de pesquisa em Secretariado que vem sendo constituídos nos cursos de Secretariado do país e cadastrados no CNPq bem como a qualificação das revistas específicas e a criação de linhas editoriais em revistas afins como exemplo, a Revista Gestão e Secretariado, criada em 2010 e em 2014 classificada como B2 no Qualis/Capes.